Diante das mudanças tecnológicas existentes nos setores de tecnologia da informação, controle e automação, a compreensão do conceito de Indústria 4.0 se torna fundamental. Aplicada aos processos de manufatura, a ideia é efetivamente implementar a era da Internet Industrial, que abrange o uso de máquinas inteligentes, trabalho colaborativo entre indivíduos conectados e análise computacional avançada.

Apesar desse contexto, somente 2% das indústrias brasileiras atuam com operações guiadas por dados, digitalização, robotização e automação, de acordo com a Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI). Os dados foram divulgados pelo Estadão.

Projeções da ABDI ainda indicam que esse índice crescerá 13 pontos percentuais até 2028. No entanto, ainda está abaixo de boa parte das nações desenvolvidas, que já ultrapassaram essa porcentagem — caso dos Estados Unidos e da Alemanha.

Compreender essas novas práticas e como elas agregam valor à gestão estratégica é uma atitude fundamental, que assegura o crescimento contínuo das organizações — e esse é o assunto que vamos abordar neste post. Acompanhe!

Em que consiste o conceito de Indústria 4.0?

Essa abordagem é conhecida como a 4ª Revolução Industrial e caracterizada pelos sistemas cyber-físicos, pela aplicação da Internet das Coisas (IoT) e por processos de manufatura descentralizados, que trazem eficiência, autonomia e personalização para as atividades produtivas.

Na prática, isso significa que a própria fábrica será capaz de prever falhas, agendar manutenções e se ajustar a mudanças e requisitos não planejados. Por exemplo: com dispositivos que coletam dados em tempo real de cada etapa da linha de produção, o processo pode ser acompanhado por meio da gestão à vista com o intuito de agir preventivamente. O resultado é mais eficiência nas atividades executadas.

Dessa forma, o crescimento da produção industrial deixa de ser o principal indicador de desempenho e é substituído por dados fornecidos pelo Big Data, que geram a inteligência de negócios (BI). A consequência é segmentação, personalização e automação de produtos e serviços.

Por que as empresas precisam atentar a esse processo de mudança?

A tendência mundial é aproveitar cada vez mais os recursos tecnológicos a favor do negócio. Por isso, o governo brasileiro lançou o Plano Nacional da Indústria 4.0 junto à ABDI. O projeto foi apresentado no Fórum Econômico Mundial de 2018 a partir de várias medidas, como:

  • financiamento de empresas que utilizam e desenvolvem tecnologias relacionadas, — inteligência artificial (AI) e IoT, por exemplo;
  • extinção de alíquotas de importação para robôs;
  • investimentos em inovação e na educação profissional e tecnológica.

Com essas medidas, a expectativa é fomentar a 4ª Revolução Industrial no país e garantir seus benefícios. É o caso da redução dos custos industriais, com diminuição de R$ 73 bilhões por ano devido ao ganho de eficiência (46% do total projetado), gastos menores com manutenção de máquinas (42%) e baixo consumo de energia (10%).

Para garantir eficiência e competitividade internacional, é crucial que as fábricas invistam em tecnologia e promovam internamente a gestão da inovação. Isso garantirá investimentos externos, retenção de talentos e aumento nas margens de lucros.

Como implementar a Indústria 4.0 na organização?

A mudança do sistema industrial tradicional para a versão 4.0 é processual. Primeiramente, exige que a empresa tenha um plano estratégico organizacional, que definirá os objetivos a serem alcançados com o investimento nas diferentes tecnologias abrangidas por essa revolução.

Saber quais são os principais fatores de influência no desenvolvimento da organização em seu segmento de atuação é essencial para realizar ações acertadas, coletar dados relevantes e obter insights, que aumentam a competitividade do negócio.

É o caso, por exemplo, de uma fábrica que trabalha com produção e transporte de determinado produto. Nessa situação é preciso identificar o que impacta o tempo de entrega para aprimorar os pontos de lentidão, reduzir custos e aumentar a eficiência.

A partir da definição desses indicadores e das metas de desempenho, os processos da empresa são informatizados e integrados — como na gestão à vista. Assim, são unificados em uma plataforma de dados que coleta e concentra as informações necessárias para a área de atuação.

O próximo passo é substituir o maquinário industrial. Devem ser adotadas soluções de TI, como as Centrais de Automação de Processos (CAP), conectadas à internet e baseadas na automação industrial para unir produtos, processos, pessoas e robôs.

Perceba que todos os dados devem ser parametrizados, isto é, obedecer a padrões preestabelecidos pela gestão. Já as operações devem visar ao máximo de agilidade na assimilação de informações importantes, como gerenciamento do estoque, tempo de entrega dos produtos e geração de relatórios financeiros. Assim, são asseguradas otimização e eficiência aos processos.

Quais são as possibilidades?

A Indústria 4.0 é composta por diferentes elementos, como:

  • digitalização;
  • robótica;
  • conectividade;
  • computação em nuvem;
  • Big Data;
  • AI;
  • integração de sistemas;
  • IoT e sensores inteligentes;
  • manufatura aditiva;
  • realidade aumentada;
  • sistemas em tempo real;
  • simulações e digital twins.

O objetivo é alcançar diferentes propósitos, sendo um deles a agilidade. Por meio do lean factoring, por exemplo, é possível atingir esse intuito, aumentar a eficiência e reduzir perdas. No caso de uma interrupção da programação semanal devido a algum imprevisto — como a quebra de uma máquina —, o maquinário robótico e a produção industrial são capazes de amenizar esses fatores negativos ao agir rapidamente sobre o problema.

Além disso, a automatização de processos e a obtenção de insights relevantes permitem criar produtos ou serviços personalizados aos clientes, com base nos dados de seu comportamento de consumo. Dessa maneira, o uso das tecnologias proporciona melhor compreensão das necessidades dos consumidores, contribui para a previsão de acontecimentos futuros e garante eficiência na produção industrial — isso reduz os custos e aumenta o Retorno sobre Investimento (ROI).

Ainda podemos citar as análises cognitivas geradas pela AI e pelo Machine Learning. Com elas, a máquina aprende a partir de padrões preestabelecidos. Esse conhecimento pode ser usado para mapear rotas para a logística de entregas, por exemplo.

O que é a transformação digital e qual é a sua relação com a Indústria 4.0?

A transformação digital é um elemento presente principalmente na 3ª Revolução Industrial, que foi caracterizado pelo avanço da eletrônica e pelo uso dos sistemas computadorizados e da robótica para a manufatura. Esse aspecto otimizou os resultados nas fábricas e permitiu a chegada ao estágio atual.

Diante desse cenário, a transformação digital impacta diferentes processos e serviços, como produção, reposição de estoque, conexão dos setores administrativos etc. Junto à Indústria 4.0, esse elemento é essencial para a sobrevivência das empresas no mercado.

Por meio dessas duas abordagens, é possível aprimorar a dinâmica de produção, a gestão e o relacionamento com o cliente. As fábricas inteligentes são, portanto, uma maneira de continuar esse processo com agilidade para potencializar os resultados alcançados.

Quais são as tendências?

Existem diferentes possibilidades proporcionadas pela 4ª revolução industrial. Relatórios da E&P indicam que devem ser movimentados mais de 15 trilhões de dólares nos próximos 15 anos. Consequentemente, gastos de produção em diferentes setores devem reduzir 13% em 30 anos.

Entre as tendências que contribuirão para esse resultado estão as tecnologias citadas abaixo.

Impressoras 3D

Baseiam-se na produção de um objeto real a partir de uma imagem virtual tridimensional. Esse processo utiliza a tecnologia Fused Deposition Modeling (FDM), que permite fabricar vários tipos de produtos, desde próteses ortopédicas a peças de reposição para diferentes máquinas.

IoT

Facilita a comunicação entre equipamentos digitais pela internet para coletar e analisar dados com precisão, como relatórios de finanças e performance. Assim, alcança-se mais eficiência na gestão estratégica — fazendo com que a IoT seja um dos focos do Plano Nacional de Desenvolvimento.

Pesquisas da Anatel indicam que essa tecnologia movimentará, aproximadamente, 200 bilhões de dólares por ano em 2025 no Brasil, sendo os setores mais beneficiados: cidades inteligentes, agronegócio, indústria e saúde.

Fábricas inteligentes

Foram criadas pelo suporte das novas tecnologias, como sensores, Machine Learning e Cloud Computing. São caracterizadas por terem processos totalmente automatizados, como fabricação de produtos, comunicação entre equipamentos e desligamento automático de máquinas para segurança. Ainda são garantidas a manutenção e a eficiência energética e ambiental pelo rastreio do desperdício de energia, insumos industriais e água.

Em suma, a Indústria 4.0 é crucial para garantir a competitividade no mercado atual, assim como o crescimento contínuo da empresa. Ao contratar soluções confiáveis, você assegura controle e capacidade de integração de todas as informações imprescindíveis para o seu negócio, além de otimizar os processos e torná-los mais ágeis.

Agora que você compreendeu melhor esse contexto, que tal buscar outros conhecimentos? Aproveite e leia sobre eficiência operacional e inovação!