Lidar diariamente com o usuário exige do Designer mais do que competências técnicas, pede que ele tenha habilidades comportamentais e interpessoais, as famosas “soft skills“. Neste artigo, listaremos as 5 principais.


Em tempos de pandemia, isolamento social e home office, é natural que algumas características dos profissionais acabem passando despercebidas, assim como outras sejam potencializadas.

Momentos como esse exigem que os profissionais mostrem mais do que suas habilidades técnicas, é necessário que sejam colocadas em práticas suas soft skills, ou seja, sua empatia, capacidade de auto-gerenciamento, aprendizado, comunicação, a capacidade de se adaptar à diferentes situações, entre diversas outras.

O profissional de UX, UI, Product Designer ou simplesmente Designer, tem a necessidade de ter essas soft skills ainda mais desenvolvidas, afinal de contas, elas são fundamentais para participar ou comandar um processo de co-criação ou de facilitação, e também entender a perspectiva do usuário e alinhar isso com os objetivos de negócio do produto.

Nesse artigo, abordaremos cinco das principais soft-skills que são fundamentais para os Designers, não apenas no cenário pandêmico atual, mas para toda a sua carreira, seja qual for a especialidade, localização geográfica ou contexto de atuação.

Vamos lá?

1 – Escuta ativa

É sobre focar no que a pessoa está falando e não nas ideias, pensamentos, julgamentos e opiniões que a fala possa despertar em você.

A escuta ativa é fundamental especialmente quando o designer está entrevistando os usuários, argumentando com colegas de trabalho, facilitando algum treinamento ou dinâmica ou em reuniões com outros membros do time.

Essa é uma característica que não beneficia apenas a atuação do designer como profissional, mas também é muito valioso para relações interpessoais e tudo que envolve a comunicação com outras pessoas.

Praticar a escuta ativa envolve algumas atitudes que parecem simples, mas que na correria do dia a dia muitas vezes não acontece:

  • Olhe o interlocutor e sempre mantenha o contato visual.
    Tarefa que podem ser um pouco mais complicada em reuniões remotas e, por isso, é importante que essas reuniões sejam feitas com a câmera ligada. Caso não seja possível, imagine-se frente a frente com a pessoa que está falando e foque nisso.
  • Não interrompa o interlocutor para impor ou sugerir soluções.
    Espere que ele conclua sua fala e só então comece suas perguntas para clarificar alguns pontos ou oferecer sua opinião caso ela seja requerida.
  • Dê feedbacks verbais e não verbais ao interlocutor.
    Seja um aceno de cabeça, um “aham” ou qualquer outra maneira de você retificar que ele tem sua total atenção durante o que está sendo falado.

2 – Capacidade de se adaptar

Uma habilidade que pode significar a sobrevivência do profissional no mercado de trabalho, a adaptabilidade tem ganhado ainda mais importância na era digital.

Afinal, todos os dias somos apresentados às novas metodologias, formas de trabalho e tantas outras novidades que nos moldam, assim como também moldam o mercado.

Por isso, é fundamental que os Designers estejam na vanguarda do conhecimento da área, tanto com relação as tecnologias, produtos, tendências, metodologias, aspecto social e novas formas de se fazerem as velhas atividades.

Ser adaptável é mais do que uma habilidade, é uma forma de ser. É uma iniciativa que nos ajuda a estar em constante evolução e sempre atentos a tudo que está a nossa volta.

Assim, além de se manter a par do que há de novo no mercado, também podemos ajudar a moldar futuras tendências de atuação e comportamento.

3 – Ser autodidata

Tomar para si a responsabilidade de seu próprio conhecimento e evolução é tão fundamental quanto ser adaptável.

Ser autodidata é saber lidar com problemas ou desafios que não dominamos completamente, tornando o tempo de resposta do profissional fundamental para superar essas barreira.

Hoje, o aprendizado está em praticamente qualquer situação e com qualquer pessoa. A internet nos dá o poder de buscarmos conhecimento e respostas para nossos desafios em qualquer lugar do mundo, não existem mais conhecimento inalcançável.

Tudo que o designer precisa para superar seus desafios e barreiras é ter força de vontade, disciplina e resiliência para preencher as suas lacunas de conhecimento e dar o próximo passo.

4 – Ser empático

Você provavelmente já ouviu falar sobre isso, afinal, está na moda dizer que é necessário praticar empatia. Estando ou não na moda, você sabe o que isso significa de verdade?

Basicamente, ser empático é termos a capacidade de nos colocarmos no lugar do outro, e assim entender não apenas a situação e seu contexto, como também sentir.

Para um designer, exercitar a empatia é fundamental para conhecer o usuário e projetar produtos e serviços condizentes com suas reais necessidades. Ou seja, é preciso unir a escuta ativa, soft skills já comentada, com a empatia.

Outra forma de ser empático é observar atentamente. A observação nos permite ver os acontecimento e sugerir soluções, propondo a realização da mesma tarega com menos esforço.

Além da escuta ativa e da observação, outras ferramentas podem nos ajudar a entender o comportamento dos usuários, nos permitindo exercitar a empatia e converter esses comportamento em insights.

5 – Ter humildade

A humildade é uma soft skill que permeia todas as demais citadas aqui, e não é à toa que ela irá fechar a nossa lista.

Sem humildade é impossível praticar a escuta ativa, pois é ela que permite nos despirmos de todos os nossos préconceitos e “achismos” tão prejudiciais na hora de escutar e entender os problemas do usuário.

Também é a humildade que nos permite identificar a necessidade de nos reinventarmos diariamente por meio do aprendizado. Sem essa característica, o profissional tende a achar que “sabe tudo” e deixa de exercitar sua inquietude e sua adaptação às novas situações e desafios.

Por fim, não existe empatia sem humildade. Não é possível nos colocarmos no lugar de outra pessoa com o objetivo de entendermos suas dores, problemas e necessidades sem abdicarmos de tudo que nos cega e nos impedem de enxergar sob a ótica de outrem.

E é por isso, que quando pensamos nas habilidades de um Designer, precisamos pensar no equilíbrio.

Durante muito tempo o bom designer era considerado aquele cheio de referências, criativo, disruptivo e que conhecesse técnicas, softwares e carregasse consigo uma grande bagagem de projetos.

Mas de que adianta ter todas essas qualificações técnicas se não souber equilibrar isso com suas habilidades interpessoais, as soft skills?

Hoje, um bom Designer é aquele que desempenha seu papel de forma muito mais eficiente equilibrando seus conhecimentos técnicos e suas competências comportamentais. É por meio da humildade, empatia, escuta ativa, autoaprendizado e adaptabilidade que ele terá mais condições e principalmente disposição para preencher suas eventuais lacunas.

O equilíbrio é tudo! Saber entender e buscar o ponto de equilíbrio é algo que somente aqueles que conhecem as próprias limitações e dificuldade conseguem fazer.