Segundo dados disponibilizados pela Organização Mundial de Saúde, estima-se que existam mais de 1 bilhão de pessoas com deficiência no mundo. Nesse contexto, é possível elencar três tipos diferentes de limitações sensoriais:

  • Deficiência permanente: é aquela que ocorreu ou se estabilizou durante um período de tempo suficiente para não permitir recuperação ou ter probabilidade de que se altere, apesar de novos tratamentos (Decreto nº 3.298/99, art. 3º, II).
  • Deficiência temporária: é aquela que, quando tratada, permite ao indivíduo retornar às suas condições anteriores, podendo durar mais de um momento, sendo passíveis de reversão.
  • Deficiência situacional: é aquela que se caracteriza por barreiras que podem durar mais de um momento e possuem reversão, uma vez que à medida que as pessoas se movem em diferentes ambientes as suas habilidades também podem mudar drasticamente.

Quando essa realidade é transposta para o Brasil, chegamos ao número de 45 milhões de pessoas com deficiência (PCD´s), números estes apurados pelo IBGE em 2010.

Em uma sociedade tão plural, é necessário pensar em um mundo que abrace a todos, promovendo uma integração plena com recursos que permitam que todos consigam interagir com a tecnologia e produtos digitais.

A acessibilidade digital integra esse conceito, proporcionado às pessoas com deficiência ou mobilidade reduzida autonomia para utilização da web, derrubando barreiras estruturais. Esse conceito pressupõe que produtos digitais sejam projetados de uma maneira que as pessoas possam perceber, entender, navegar e interagir de maneira efetiva com toda a web.

Ao desenvolver um site, aplicativo ou sistema baseados na acessibilidade, os seguintes pontos devem ser considerados:

  • Flexibilidade de uso: o design em si é idealizado de uma maneira que consiga atender à necessidade dos usuários, considerando diferentes habilidades e múltiplas preferências. Ao falar em acessibilidade, o conteúdo pode ser utilizado de diferentes formas e através de múltiplos devices.
  • Informação de fácil percepção: o conteúdo disponibilizado em sites, softwares e aplicativos é idealizado para ser assimilado por quem o recebe, considerado condições ambientais (estrangeiros) ou habilidades sensoriais dos usuários (dificuldades de visão, audição e outras particularidades).
  • Tolerância a erros: um olhar dedicado a redução de erros, focando na diminuição de riscos e ações acidentais ou intencionais, pautando-se em um sistema que detecta eventuais erros, trazendo um feedback imediato para que o problema possa ser resolvido de maneira fácil e efetiva.
  • Uso intuitivo e simples: considerando todas as especificidades do indivíduo, o design é idealizado para compreender a capacidade linguística, de conhecimento e de experiência de seus usuários.

Direcionamentos para a acessibilidade digital

No Brasil, a NBR 9050/2015 estabeleceu conceitos e parâmetros referentes às condições de acessibilidade. Complementando o dispositivo legal, existe o WCAG (Web Contents Accessibility Guidelines), um guia elaborado pelo W3C (World Wide Web Consortium) que estabelece uma série de regras para tornar todo o conteúdo disponível na web acessível a qualquer pessoa.

Quando seguidas, tornam a acessibilidade digital uma realidade, mesmo quando as informações são acessadas pelos mais variados tipos de dispositivos. Ao desenvolver aplicações digitais acessíveis, conforme o WCAG, é necessário que as informações sejam:

  • Perceptíveis, contemplando alternativas de texto para conteúdo que estejam em outros formatos, e legendas para materiais em formato multimídia. O foco aqui é pensar em variações da maneira que as informações são apresentadas, incluindo no desenvolvimento tecnologias assistivas.
  • Operáveis, garantindo que o usuário consiga acessar todas as funcionalidades através do teclado, com tempo suficiente para leitura do conteúdo, auxiliando o usuário a encontrar o que busca e não apresente conteúdos que cause convulsões.
  • Inteligíveis, com textos de fácil compreensão e seu acesso sendo operado de forma previsível e que ajude na prevenção e correção de erros.
  • Robustas, que permitam a compatibilidade com ferramentas que já existem ou não.

UX Design e Acessibilidade

Dentro da correlação entre acessibilidade e UX Design, vale mencionar o conceito de Tecnologia Assistiva. Considerada uma expressão nova, ela consiste em identificar todo o rol de recursos e serviços que ajudam a proporcionar ou ampliar habilidades funcionais de PCD´s, promovendo uma vida independente e inclusiva.

Funcionando como um pilar do UX Design, a acessibilidade traz como premissa priorizar o usuário, focando não apenas no público-alvo médio, mas em todas as pessoas que venham a inserir a utilização de produtos digitais em sua rotina. Ao introduzir as práticas de UX Design e acessibilidade no desenvolvimento de projetos, é possível atender todos os usuários, não promovendo nenhum tipo de exclusão e distinção.

Empresas e Acessibilidade

Dentro do escopo de desenvolvimento de seu aplicativo, o Nubank utilizou a funcionalidade de leitor de tela disponível em smartphones, que através de toques na tela e vozes sintetizadas permite que pessoas com deficiência visual consigam utilizar o aplicativo normalmente, graças a interface amigável.

Já no Ifood, a praticidade e acessibilidade para o uso de pessoas com deficiência visual é total. Utilizando recursos de voice over, por exemplo, é possível abrir o carrinho de compras com os itens selecionados, proporcionando uma autonomia plena ao usuário.

A rede atacadista Assaí desenvolveu em seus portais a tradução de todo o seu conteúdo para a Língua Brasileira de Sinais (Libras), facilitando a comunicação de pessoas surdas e mostrando que a diversidade está ligada ao respeito e à valorização da variedade de atributos de uma pessoa ou de um grupo.

O plugin Liliane Canvas Control XD permite que pessoas com deficiência física projetem de maneira eficiente e assertiva com o ADOBE XD. Essa adequação no programa aconteceu graças à designer brasileira tetraplégica que empresta seu nome ao plugin. Com a criação, Liliane não só consegue trabalhar, mas também desenvolver produtos acessíveis.

O PagSeguro, cliente Iteris, desenvolveu uma película de acessibilidade que, quando aplicada nas máquinas de transações financeiras auxiliam pessoas com cegueira total ou deficiência visual no momento de digitar a senha do cartão.

Com os usuários exigindo cada vez mais uma experiência de qualidade ao utilizarem serviços e aplicações, é necessário olhar atentamente para esse momento. Com um time capacitado para esse momento do projeto, a Iteris conta com serviços de estratégia UX e UI.

De acordo com pesquisas, as boas práticas de UX e UI podem aumentar em 10% o lucro de empresas. Além disso, essas duas tendências também se mostram extremamente eficazes para fidelizar clientes, já que são as áreas que desenvolvem toda a experiência e interfaces de aplicações – sejam elas web, mobile ou até mesmo serviços e processos.

Em países como os Estados Unidos, onde a regulamentação é mais rígida, é possível processar empresas que não se adequem às normas com base na Americans With Disabilities Act, a lei estadunidense de acessibilidade.