Cocriar, nada mais é, do que o processo de criação coletivo que visa produzir um resultado valorizado por todos. Mais do que isso, a cocriação é uma excelente ferramenta estratégica para engajar e estimular a inteligência coletiva do time.

Neste artigo, abordaremos uma das possíveis metodologias de cocriação, a Crazy 8’s, mostrando sua aplicação prática, que além de simples e rápida, é uma excelente estratégia de engajamento.

(Dinâmica mostrada aqui foi realizada antes do isolamento social devido à COVID-19)

Em gestão de projetos, é muito comum que as equipes multidisciplinares, ou squads, ganhem um nome. No caso, nesse cliente específico, todas essas equipes possuem nomes de cidades. São nomes do mundo inteiro, dos mais comuns até os mais inimagináveis.

Foi o caso do mais novo time, chamado “Hershey”.

Não. Não imaginávamos que Hershey era um pequeno município da Pensilvânia, conhecíamos apenas a marca de chocolates que tem o mesmo nome, com um “s” a mais no final (e você, sabia dessa cidade?).

Além dos nomes, as squads desse cliente também possuem logotipos para representar as cidades, e a Hershey, por ser nova, ainda não tinha um, e foi aí que surgiu a ideia de uma cocriação.

Objetivo da cocriação: gerar ideias para o logo da equipe.

Metodologia de Cocriação – Crazy 8’s

Nessa técnica, diferentemente de 8 ideias malucas, o objetivo é propor 8 ideias diferentes em 8 minutos (daí o nome).

1. Planejando a dinâmica

O planejamento do Crazy 8’s é bem simples e rápido. São necessários:

  • Espaço para todos os participantes
  • Papel sulfite
  • Lápis, canetas, canetinhas
  • Cronômetro
  • Etiquetas adesivas para votação
  • Música para não ficar aquele silêncio 😊

2. Briefing

Antes de começar a dinâmica, é preciso explicar aos participantes a metodologia que será usada e fazer uma introdução ao tema.

No caso da squad Hershey, cada um dos membros falou um pouco do que sabia sobre a cidade. Depois o facilitador passou rapidamente pelo site da Hershey’s, que em uma das páginas conta a história do município.

3. Preparando o material

Antes de mais nada, cada participante deve receber um material para inserir suas ideias (lembrando que serão 8).

Em nosso exemplo, cada um recebeu 2 folhas sulfites A4, dobradas em quatro partes, ou seja, 8 quadrantes para desenhar.

4. Cronômetro

O tempo determinado para cada ideia é de 1 min., totalizando 8 minutos e 8 ideias.

Só para exemplificar, o facilitador usou um cronômetro do tipo Tabata (método para a prática de exercícios intensos, cujos cronômetros costumam ser bem interativos), que é visualmente interessante, pois fica visível para todos, muda de cor e emite som quando faltam poucos segundos para o final de cada ciclo.

Cronometro Tabata
Cronometro Tabata

5. Hora de desenhar – Colocando a metodologia em prática

Metodologia explicada, material entregue, briefing feito e cronômetro na tela = hora de colocar a mão na massa!

  • Pontos de atenção
    Durante a dinâmica diversos fatores podem gerar impasses aos participantes: dificuldade em desenhar, falta de ideias, perfeccionismo.
    Nesses casos, o facilitador precisa deixar bem claro que não tem problema, que a intenção da dinâmica é justamente trazer ideias sem muito refinamento.
    Também é possível incentivar o participante dando a ele possibilidade de ajustar a ideia que mais gostou ou fazer uma mescla entre as ideias já desenhadas.
Time desenhando
Foto da equipe participando da dinâmica.

6. Apresentação das ideias

Ao final dos 8 ciclos de 1 min, os participantes devem apresentar seus desenhos e explica-los.

Essa parte é a mais divertida, pois todos tem a chance de explicar e “vender” sua ideia. Em muitos casos o desenho é indecifrável, mas a explicação deixa tudo mais claro.

  • Vale ressaltar que não importa se o desenho está bom ou não, o importante são as ideias que foram geradas. Muitas vezes alguns dos rabiscos, garranchos ou bonequinhos de palitos representam grandes ideias!
Colaborador apresentando ideia
Imagem que mostra um dos participantes apresentando suas ideias.

7. Votação das ideias

Após as apresentações e com todas as ideias expostas, os participantes recebem seus adesivos de votação e distribuem entre as ideias que mais gostaram.

Em casos de empate, reunir as ideias e discutir sobre elas é uma maneira de escolher a finalista.

Em nosso exemplo, as mais votadas foram agrupadas e um rápido debate aconteceu para sabermos se todos estavam de acordo. Como a votação foi muito acirrada, achamos que a melhor saída seria mesclar todos os conceitos para criar o logo do time Hershey.

Desenhos mais votados
Foto com desenho das ideias mais votadas.

8. Passando a limpo

Após a votação e escolha, cabe ao designer ou ao facilitador, passar a limpo a escolha do time.

Nesse exemplo, com os desenhos em mãos, o designer esboçou o logo, mesclando as ideias mais votadas na cocriação.

Dica: você pode desenhar utilizando papel e lápis para depois passar para o computador. Dessa maneira é possível testar várias versões de uma forma muito mais rápida.

Após a conclusão do rascunho, caso ele tenha sido feito no papel, o ideal é passar para o computador.

Rascunho do logo da equipe
Rascunho do logo da equipe Hershey, elaborado por Flávio Miyashita.

9. Material final

Agora é só compartilhar o material final com os participantes, apresentar a ideia e colocá-la em prática.

No Crazy 8’s do nosso cliente, o resultado final foi esse:

Gif logo final Hershey
Gif que mostra a construção e o resultado final do logo da equipe Hershey.

Resultados obtidos

Seja no exemplo do nosso cliente ou em diversas outras situações, a cocriação muitas vezes é decisiva para o atingimento do objetivo de forma rápida e assertiva.

Sem ela, o pensamento é individual, o tempo de construção e aceitação por todo o time seria enorme, sem falar na dificuldade de agradar a todos.

Com esse método, utilizando a inteligência coletiva, o objetivo foi entregue em apenas 30 minutos e mais, foi entregue de forma coletiva e com toda a equipe engajada.