A Web, idealizada e concebida por Tim Berners-Lee em 1991, é um serviço que disponibiliza informações para todos os usuários através da Internet.

Desde que foi concebia, a internet e a web evoluíram flexibilizando diversas soluções que facilitam e auxiliam as mais diversas atividades da vida cotidiana. Mas será que essa evolução trouxe a acessibilidade necessária para os diversos públicos que a utilizam?

Neste artigo, você conhecerá mais detalhes sobre o decreto e leis brasileiras que tratam o assunto, assim como entenderá como o WCAG contribui para que a Web seja mais acessível.

A Legislação brasileira

De acordo com o Censo Demográfico do IBGE de 2010, cerca de 46 milhões de brasileiros, ou seja, 24% da população, apresentam algum tipo de deficiência, seja ela motora, visual, auditiva, mental ou intelectual.

Com o intuito de incluir essa parcela significativa da população no mundo Web, o governo instaurou em 2004, por meio do decreto federal nº 5.296, capítulo VI, a obrigatoriedade da acessibilidade digital em todos os sites e portais dos órgãos de administração pública.

Como resultado desse decreto e da Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência, o governo instituiu a LBI – Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência, que assegura e promove a inclusão digital das pessoas com deficiência ou necessidades especiais exigindo que todos os sites, públicos e privados, sejam acessíveis. 

Além disso, alguns municípios também fomentam a acessibilidade web. Por exemplo: com o objetivo de incentivar que as empresas implementem os recursos de acessibilidade, a cidade de São Paulo lançou o Selo de Acessibilidade Digital.

Acessibilidade na web

Segundo a Cartilha de Acessibilidade na Web, da W3C Brasil: “acessibilidade na web significa que pessoas com deficiência podem usar a web. Mais especificamente, a acessibilidade na web significa que pessoas com deficiência podem perceber, entender, navegar, interagir e contribuir para a web. E mais. Ela também beneficia outras pessoas, incluindo pessoas idosas com capacidades em mudança devido ao envelhecimento.”

A fim de garantir que o objetivo seja alcançado, a Word Wide Web Consortium (W3C), além de estabelecer padrões para a criação e interpretação de conteúdos para a web, também publica diversas orientações, incluindo os princípios e diretrizes de acessibilidade definidas no WCAG .

Diretrizes para um site acessível

De acordo com a Web Content Accessibility Guidelines (WCAG), as diretrizes para um site acessível estão agrupadas em quatro princípios:

  1. Perceptível: as informações e os componentes de interface devem ser apresentadas de maneira a serem percebidas pelo usuário.
  2. Operável: os componentes de interface de usuário e a navegação devem ser operáveis.
  3. Compreensível: a informação e a operação da interface de usuário devem ser compreensíveis.
  4. Robusto: o conteúdo deve ser robusto o suficiente para poder ser interpretado de forma confiável por uma ampla variedade de agentes de usuário, incluindo tecnologias assistivas.

Logo após cada um desses princípios, temos as diretrizes e os critérios de sucesso, sendo que:

  • As diretrizes disponibilizam a estrutura e os objetivos de âmbito global a fim de auxiliar os autores na compreensão dos critérios de sucesso.
  • Os critérios de sucesso descrevem especificamente o que devemos testar para alcançar determinada diretriz, independentemente da tecnologia usada.

Critérios de sucesso

Os critérios de sucesso são categorizados em três níveis de conformidade, seguindo a ordem abaixo:

  • A – nível de conformidade baixo
  • AA – nível de conformidade mediano
  • AAA – nível de conformidade elevado

Ou seja, o nível A, o mais baixo, engloba critérios mais simples que representam a barreira de entrada da acessibilidade web. Como exemplo do WCAG, temos o fornecimento de legendas para todo conteúdo de áudio pré-gravado em mídia sincronizada, exceto quando a mídia for uma alternativa para texto e for claramente identificada como tal.

Em seguida, no nível de conformidade mediano, temos critérios mais abrangentes que permitem a acessibilidade para a maioria dos usuários, por meio de tecnologias como legendas ao vivo, que são fornecidas para todo o conteúdo do áudio ao vivo existente em mídia sincronizada.

Por último, no nível AAA, os critérios são mais específicos, destinados a um determinado público. Por exemplo: fornecimento de interpretação em língua de sinais para todo o conteúdo de áudio pré-gravado existente em um conteúdo em mídia sincronizada.

Validação da acessibilidade

Existem diversas ferramentas que auxiliam no desenvolvimento e validação da acessibilidade na web, assim como ferramentas voltadas para o usuário, tais como:

  • eSSENTIAL Accessibility: tecnologia que auxilia aqueles que tem dificuldades de controlar o mouse, de usar o teclado ou de ler na tela. O recurso de acessibilidade permite, por exemplo, controlar o cursor com movimentos do rosto e comandos de voz.
  • ProDeaf: tradutor de texto e voz na língua portuguesa para Libras – a língua brasileira de sinais, com o objetivo de realizar a comunicação entre surdos e ouvintes.
  • Wheelmap: auxilia na busca de lugares com acessibilidades através do compartilhamento da informação por outros usuários.
  • Hand Talk: plugin que deixa todo o conteúdo do site acessível em Libras, permitindo que o público surdo navegue com autonomia.
  • BrowseAloud: auxilia usuários com dislexia, baixa escolaridade ou deficiência visual na compreensão do conteúdo através da leitura em voz alta.
  • JAWS: programa de computador que lê a tela, permitindo que usuários com deficiência visual leiam a tela por meio de uma saída de texto para voz ou um dispositivo braile.

Por fim, implementar a acessibilidade na web possibilita a inclusão digital de pessoas com diferentes tipos de deficiências e necessidades especiais. É através desses recursos que tornamos possível a democratização e disseminação de conteúdos da Web.

Então que tal dar mais foco no que você disponibiliza na Web tendo mais empatia com essa parcela representativa da população?